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3 de mar. de 2015

Promessas (parte 2)

Sendo o mundo feito de amor, seria mais lógico imaginar que quando duas pessoas se amam, elas ficam juntas. Fazem planos futuros. Constroem uma família. E lá no fim, ao mesmo tempo, fecham os olhos para nunca mais acordarem. Era o ideal. Mas não para nós. Nosso amor era tanto que sabíamos que não precisávamos disso. Não precisávamos de convenções sociais para provar nosso amor. Éramos livres para nos amarmos e vivermos nossas vidas separados. Nossa promessa nos mantinha unidos, mas não fazia de nós um casal comum. Tampouco um casal.

Nunca acreditei na ideia de que só se pode amar uma pessoa. Estávamos convictos de que éramos capazes de sentir desejo e amor por quem quer que fosse que aparecesse no nosso caminho. Mas uma coisa sempre seria certa: Não importa em quantos amores você tropeçar na sua jornada, o importante é o amor que te espera no final dela – aquele amor que te acompanhou por todo o caminho. Aquele que viu você se afogar no abraço de outro, mas ainda assim esteve ali para você quando você foi empurrado para fora. Aquele que já viu você passar por inúmeros desamores. Aquele, que quando tudo deu errado, estava ali para mostrar que era seu certo.

Era isso que ele era para mim. O certo. O homem que segurou minha mão tão firme que eu sabia que o chão poderia sumir de debaixo dos nossos pés que eu não teria medo de cair. Nesse momento eu soube que eu nunca mais iria confiar tanto em alguém. Naquele momento eu soube que ele era o único homem capaz de me fazer me sentir segura e protegida. E por medo dessa segurança, eu fugi.

Corri para os braços de outro. Fingi uma segurança que eu não tinha. Forjei um amor. Me forcei a aceitar uma felicidade que não existia. Prometi um amor eterno que não lhe pertencia. E em todos os beijos via uma imagem que não era a sua. Não tinha mais a liberdade que eu ansiava. Não tinha mais aquele carinho puro. Mas existia respeito. E era o respeito que me impedia de voltar atrás no meu grande erro. Foi por esse respeito que eu mais uma vez perdi o meu amor de tantas outras vidas.

Porém, quem inventou essa história de que podemos sim ter mais de um amor em nossas vidas, estava perdidamente enganado. Quando você ama alguém, você não consegue amar uma outra pessoa. Não importa o quanto você tente. Nada nunca pode substituir aquela pessoa pela qual o seu coração dispara quando vê. Aquela pessoa que te faz sentir melhor só com um abraço. Aquela pessoa que o sorriso te dá ânimo para enfrentar a dureza do dia a dia. Aquela pessoa com a qual você sonha e acorda desejando que tenha sido real. Nada pode substituir o verdadeiro amor.

Mesmo noiva de outro, ele continuava sendo meu melhor amigo. Esteve sempre ao meu lado. Sempre segurando a minha mão. Era nele que eu pensava quando ia dormir e era nele que eu estava pensando quando acordava ao lado de outro homem a que eu tinha prometido amar para sempre. Nunca disfarcei. Nunca escondi meu amor por ele de ninguém. Nem mesmo de meu noivo. Entretanto, eu me forçava a acreditar que nós não podíamos ficar juntos. Me forçava insistentemente a acreditar que era meu noivo o homem com quem eu queria passar todos os dias da minha vida, com que eu queria fazer planos para o futuro, com quem eu queria construir minha família, com quem, no fim, eu fecharia os olhos para sempre.

Pior do que ser enganado por alguém, é ser enganado por você mesmo. Você mente para si mesmo esperando o melhor, mas, ao final, percebe que trouxe para sua vida a infelicidade e o desespero constante de tornar tudo aquilo verdade. Você se destrói. Uma destruição consciente. E você é a única pessoa que pode te resgatar. A mentira dos outros tem perdão. É esquecida. Mas a mentira para si mesmo impregna na alma.

8 de set. de 2013

Um lugar no passado

No momento que eu entrei foi como se milhões de imagens e memórias e lembranças e sentimentos tivessem me atingindo e me levado para um tempo e um lugar que eu já há tempos havia me esquecido. Senti o cheiro do açude. E ouvi as crianças brincando e correndo. Um dia eu era aquelas crianças correndo sem cansar embaixo do sol quente sem medo de cair ou de arder no dia seguinte. Cumprimentei pessoas que eu não via há algum tempo. Primos, amigos, conhecidos, desconhecidos. Meu primo estava sentado na beira do açude como se fosse uma foto de infância da minha cabeça: pernas de índio, os pés descalço e a vara na mão, calmo. Meu pai se prontificou a sentar ao seu lado. Como sempre o fez. Resolvi tirar meu tênis e por indicação do meu primo por os pés na terra para entrar em contato com a natureza. Naquele momento, me senti criança novamente. Peguei uma vara com meu outro primo e enchi seu saco para que ficasse colocando isca para mim cada vez que ela sumia do anzol quando eu jogava na água. Bons tempos aqueles e os de ontem, que se repetiam. Sentada no chão podia tocar a grama, na Grama, e me lembrar de quando íamos pescar naquela mesma chácara ou correr no campinho.