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20 de jun. de 2016

Carta ao querido

Querido,

Desculpe-me, mas para sanar minhas inquietações, eu gostaria de te perguntar o que eu fiz de errado para merecer o seu silêncio. Eu entendo que não sou perfeita, que tenho milhares de defeitos, mas qual deles é tão grave para que eu não seja digna das suas respostas, nem ao mesmo de uma explicação do porquê, de uma hora para a outra, você deixou de falar comigo.

Não é por nada, não é cobrança, não estou louca por você, só gostaria de entender, para não repetir os mesmos erros, embora eu pense que na verdade o erro não está em mim, e sim em você em não perceber a pessoa que eu sou. Mas ainda assim gostaria de entender seus motivos e tomar minhas próprias conclusões se a falha foi sua ou mesmo minha.

Então, me explique por que você me visualiza mas não me responde. Qual foi o meu grande erro naquela última vez que nos vimos e parecia estar tudo bem? Eu não sou a pessoa mais fácil desse mundo para se lidar, mas também não sou tão difícil assim. Sei que não o magoei, não te disse nada que tenha te ofendido e tampouco agi como alguém fora de si. Por isso, meu querido, gostaria de entender suas razões para passar a me ignorar sem mais nem menos.

É só por curiosidade mesmo. Porque não aguento ficar sem uma resposta. Para nada nessa vida. Me diga, então, por que eu não sou boa o bastante para esse seu ego? Ninguém é obrigado a estar com uma pessoa que não quer, mas isso não quer dizer que eu não mereça um “não vai dar mais”.

Que falta de educação deixar os outros falando sozinhos, que falta de respeito não dar satisfação para uma pessoa com quem você compartilhou momentos e histórias. Mas algum motivo você teve, pois ninguém desencanta assim, inesperadamente. Apaixona-se subitamente. Entretanto, para se desligar totalmente de alguém, tem que ter havido uma razão. E é isso que eu quero que você me responda. Só que entenda, não é porque busco respostas, que te quero de volta.

Ah, querido. Como eu gostaria que tivesse sido diferente. Infelizmente, não sou detentora do destino. Apenas posso mudar minhas atitudes para que atitudes como a sua não voltem a acontecer comigo. E, para isso, aguardo sua resposta.

Sua nem tão querida.

3 de mar. de 2015

Promessas (parte 2)

Sendo o mundo feito de amor, seria mais lógico imaginar que quando duas pessoas se amam, elas ficam juntas. Fazem planos futuros. Constroem uma família. E lá no fim, ao mesmo tempo, fecham os olhos para nunca mais acordarem. Era o ideal. Mas não para nós. Nosso amor era tanto que sabíamos que não precisávamos disso. Não precisávamos de convenções sociais para provar nosso amor. Éramos livres para nos amarmos e vivermos nossas vidas separados. Nossa promessa nos mantinha unidos, mas não fazia de nós um casal comum. Tampouco um casal.

Nunca acreditei na ideia de que só se pode amar uma pessoa. Estávamos convictos de que éramos capazes de sentir desejo e amor por quem quer que fosse que aparecesse no nosso caminho. Mas uma coisa sempre seria certa: Não importa em quantos amores você tropeçar na sua jornada, o importante é o amor que te espera no final dela – aquele amor que te acompanhou por todo o caminho. Aquele que viu você se afogar no abraço de outro, mas ainda assim esteve ali para você quando você foi empurrado para fora. Aquele que já viu você passar por inúmeros desamores. Aquele, que quando tudo deu errado, estava ali para mostrar que era seu certo.

Era isso que ele era para mim. O certo. O homem que segurou minha mão tão firme que eu sabia que o chão poderia sumir de debaixo dos nossos pés que eu não teria medo de cair. Nesse momento eu soube que eu nunca mais iria confiar tanto em alguém. Naquele momento eu soube que ele era o único homem capaz de me fazer me sentir segura e protegida. E por medo dessa segurança, eu fugi.

Corri para os braços de outro. Fingi uma segurança que eu não tinha. Forjei um amor. Me forcei a aceitar uma felicidade que não existia. Prometi um amor eterno que não lhe pertencia. E em todos os beijos via uma imagem que não era a sua. Não tinha mais a liberdade que eu ansiava. Não tinha mais aquele carinho puro. Mas existia respeito. E era o respeito que me impedia de voltar atrás no meu grande erro. Foi por esse respeito que eu mais uma vez perdi o meu amor de tantas outras vidas.

Porém, quem inventou essa história de que podemos sim ter mais de um amor em nossas vidas, estava perdidamente enganado. Quando você ama alguém, você não consegue amar uma outra pessoa. Não importa o quanto você tente. Nada nunca pode substituir aquela pessoa pela qual o seu coração dispara quando vê. Aquela pessoa que te faz sentir melhor só com um abraço. Aquela pessoa que o sorriso te dá ânimo para enfrentar a dureza do dia a dia. Aquela pessoa com a qual você sonha e acorda desejando que tenha sido real. Nada pode substituir o verdadeiro amor.

Mesmo noiva de outro, ele continuava sendo meu melhor amigo. Esteve sempre ao meu lado. Sempre segurando a minha mão. Era nele que eu pensava quando ia dormir e era nele que eu estava pensando quando acordava ao lado de outro homem a que eu tinha prometido amar para sempre. Nunca disfarcei. Nunca escondi meu amor por ele de ninguém. Nem mesmo de meu noivo. Entretanto, eu me forçava a acreditar que nós não podíamos ficar juntos. Me forçava insistentemente a acreditar que era meu noivo o homem com quem eu queria passar todos os dias da minha vida, com que eu queria fazer planos para o futuro, com quem eu queria construir minha família, com quem, no fim, eu fecharia os olhos para sempre.

Pior do que ser enganado por alguém, é ser enganado por você mesmo. Você mente para si mesmo esperando o melhor, mas, ao final, percebe que trouxe para sua vida a infelicidade e o desespero constante de tornar tudo aquilo verdade. Você se destrói. Uma destruição consciente. E você é a única pessoa que pode te resgatar. A mentira dos outros tem perdão. É esquecida. Mas a mentira para si mesmo impregna na alma.